Adolescentes vivem conectados, seja no computador, tablet ou celular, hoje em dia é difícil ver um deles lendo algo que não seja rede social. Pensando nisso, hoje na coluna Papo de Mãe, a Nathália fala sobre como fazer seu filho adolescente ler, contando como sempre um pouco da sua história com suas filhas com muito bom humor! Bora ler que está demais!

 




 

“Sai um pouco do celular, menina!”

Aqui em casa essa frase é dita algumas vezes por dia. Não é novidade para ninguém o quanto a geração atual de adolescentes parece um tanto, digamos, alheia ao mundo real. Não desgrudam do eletrônico, não se interessam por exercícios físicos, não buscam convivência em família, não saem do quarto até que alguma necessidade fisiológica os force e não parecem estar na mesma esfera que nós. São todos iguais? Óbvio que não! Circulam por aí as exceções. Nunca vi de perto, mas dizem que elas existem.

 

Numa época em que os ídolos são youtubers quase da mesma faixa etária, como fazer com que esses estudantes e pré-vestibulandos saibam o que está acontecendo no planeta? Como ajudá-los com os “conhecimentos gerais” que as provas e a vida social exigirão se o verbo dessa galera é assistir e não ler? Como estimulá-los a adquirir alguma bagagem além dos views e das curtidas?

 

Para acabar com essa angústia, quando minha filha estava com 16 anos e no início do segundo ano do ensino médio, criei um esquema que funcionou por um bom período. Até que o bendito e temido “terceirão” chegou com aquela pressão característica e suas revisões, simulados e afins abduziram-na. Foi desta forma abrupta que o meu promissor projeto “Planeta Terra chamando” foi para o espaço.

 

Então, como fazer seu filho adolescente ler?

O projeto se resumia, na verdade, a um pedido. Ou uma ordem, dependendo do ponto de vista: todos os dias da semana ela deveria pesquisar na internet (poderia ser, inclusive pelo celular, olha que genial!) três notícias sobre a cidade, o país ou o mundo. Durante a tarde ela deveria selecionar, ler e, à noite quando eu chegasse em casa, resumir oralmente o que tivesse absorvido. Aos finais de semana ela ficaria livre para voltar à irrealidade virtual.

 

Foi preciso uma redirecionada logo no primeiro dia quando ela chegou com uma nota bombástica sobre a separação de um casal hollywoodiano. Expliquei – caso ela realmente não tivesse entendido – que as seções “Celebridades” e “Entretenimento” estariam fora do nosso foco já que não costumam cair na FUVEST e que, ao menos um dos três conteúdos levantados deveria partir de Política ou Economia. O Brasil vivia o auge da Operação Lava-Jato, haveria material suficiente.

 

Era interessante eu me informar por meio da ótica dela enquanto preparava o jantar. Discutíamos rapidamente sobre o assunto, ela expunha a sua opinião, eu complementava com a minha, trocávamos ideias e, normalmente, chegávamos a uma conclusão. Às vezes não. Nesses dias o tema se estendia jantar adentro, compartilhando a polêmica com o restante da família.

 

como fazer seu filho adolescente ler

 

Depois fui aprimorando o formato, conforme a leitora foi avançando e dominando o processo: agora ela deveria deixar de lado os portais e trazer as novidades apenas do site da Folha de São Paulo. Lembro a noite em que ela me pediu: “Por favor, mamãe, posso procurar em outro site? O da Folha de São Paulo é muito chato. Sei lá, pode ser no Estadão?”. Eu ri aprovando a ideia, sem que ela entendesse o motivo. No dia seguinte ouvi: “Pelo amor de Deus, posso voltar para a Folha?”. Aproveitei a ocasião para apontar as diferenças entre os dois grandes jornais e incentivei que ela comparasse uma mesma informação transmitida pelas duas publicações.

 

É claro que o pedido diário era uma ordem expressa. Se assim não fosse, jamais teria acontecido. Ou alguém consegue imaginar isso ocorrendo espontaneamente? (Ah, é…as exceções!) Achei que tinha atingido o objetivo quando ela viu vantagem em ser a única a responder às perguntas da professora de Geografia sobre aquele momento nacional, enquanto os colegas se espantavam com tal sabedoria. Aprendeu com o passar dos fatos o quanto a política influencia diretamente o valor da moeda e, consequentemente, tudo o que nos cerca.

 

“Planeta Terra chamando” se prolongou por cerca de seis meses e pretendo reiniciá-lo mais cedo com minha caçula. Desejaria que elas pegassem gosto por se informar e que descobrissem benefício ao fazer isso através de fontes seguras e não apenas de status compartilhados por amigos virtuais e por estranhos.

 

como fazer seu filho adolescente ler

 

Eu também uso o celular e não leio jornais, nem mesmo para dar o exemplo. No entanto, elas são testemunhas do meu vício em rádio de notícias e que esta é a forma eleita para me manter atualizada.

 

Também preciso ser justa: essa mesma geração “alienada” se mostra capaz de grandes mobilizações e dona de uma mente muito mais “pra frente” do que a nossa, só precisa de um solo um pouco mais firme para pisar na estrada transformadora que está trilhando. Isso cabe a nós – pais e escola – garantir. O Planeta Terra está chamando. Chamando todos nós para a Grande Luta.

 

Nathália Alves é publicitária, pesquisadora de mercado há 16 anos, mãe de duas adolescentes e autora do Instagram @repertoriodemae.

 

 

 

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