preservar a individualidade dos filhos

Preservar a individualidade dos seus filhos, tá aí uma coisa que muitas Mães com certeza se preocupam ou pelo menos alguma vez já se perguntou se está fazendo. No post de hoje da coluna Papo de Mãe escrita pela Nathália Alves vai falar um pouco sobre ela faz para preservar a individualidade de suas filhas e dar algumas dicas!

 




 

O Dicionário Aurélio avisa: “Indivíduo = Qualquer ser. Sujeito, pessoa. Ser humano. Organismo único pertencente a um grupo. Exemplar. Que não se divide”.

 

Sempre fui aquele tipo de mãe que carrega filho pequeno para todo canto: supermercado, cinema, cabelereiro, festa de casamento. Quando me tornei mãe de duas segui este costume sem preguiça. Passei a viver intensamente o slogan de minha autoria “Ser mãe exige tempo e espaço”. Quem é mãe de dois ou mais, vai entender perfeitamente.

 

Estimulava, sempre que podia, a convivência da dupla em todos os instantes para que se tornassem unidas e para que recebessem as mesmas oportunidades. Acredito que seja um senso de justiça materno difícil de desfazer. Assim, se era dia de ficar com a vovó, ficavam as duas. Idas ao teatro?  Ao shopping? As duas, sempre.

 

Até que um dia, por algum motivo que não me lembro agora, precisei deixar a mais velha na casa da minha mãe. Ela deveria ter uns cinco anos. Confesso que fiquei com o coração apertado, pois seria a primeira vez que eu sairia apenas com uma delas. Estava acostumada com a presença das duas, uma no colo e a outra segurando a minha mão.

 

Quando voltei para buscá-la ao final do dia, avó e neta pareciam realizadas ao detalhar toda a diversão vivida: fotos de uma baixinha de batom borrado se equilibrando sobre sapatos de salto alto num desfile de modas Vintage, receita de “batatas ao murro” e um passeio pela pracinha do bairro. Nascia ali o “Dia da Neta Única”. Muito justo afinal cada criança tem a sua individualidade, os seus gostos, o seu jeito com a vovó e, principalmente para filhos mais velhos, o seu “reinado” de volta, mesmo que por um curto espaço de tempo. Um dia inédito sem ninguém para competir, para dividir, com atenção particular! Além da farra, na prática também deve ter sido mais fácil para a minha mãe conduzir a programação com apenas uma criança pequena.

 

preservar a individualidade dos filhos

 

Ao longo dos anos, além dos clássicos encontros com todos os presentes, cuidei para que esse dia especial acontecesse de vez em quando.  Minha caçula também chegou a usufruir a doce data do nosso calendário.  E foi rápido – claro – para que eu começasse a ver vantagem em sair apenas com uma filha.

 

Elas foram crescendo até que um passeio da mais velha com a escola tornou possível a primeira versão do “Dia da Filha Única”. Lembro que o programa naquele dia foi bem simples: café da manhã na padaria, lava-rápido e uma livraria do shopping.  O itinerário pouco importava, mas sim a rara ocasião, a conversa reservada (irmãs podem esconder muitas coisas uma da outra e mães devem fazer cara de paisagem ao se tornarem cúmplices) e eu ali, inteira como mãe.

 




 

Nós sabemos que dar a um filho nossos 100% é o objetivo maior, mas daí a alcançar isso num ambiente onde todos demandam sua dedicação, é o maluco desafio preservar a individualidade deles.

 

A mãe que tem mais de um filho sabe que não ama mais um do que outro. Sabe que ama diferente.

 

Sim, a gente age de maneira diferente, interage diferente e quando os dois estão juntos, temos, provavelmente, o que eu chamaria de um terceiro comportamento, o da “mãe simultânea”. Aquela que aparta, que reparte, que se desdobra, que concilia, que junta, que se cansa e que, naturalmente, enlouquece. A mãe “50% + 50%” (ou às vezes 33% + 33% + 33%) é a realidade de quem tem irmãos desde os tempos da caverna e está tudo bem, a humanidade sobrevive. Mas se podemos facilmente proporcionar uma situação original, por que não?

 

preservar a individualidade dos filhos

 

De uns tempos para cá, elas curtem o “Dia Único” também com o avô e com o tio com carona saindo do colégio e um almoço no caminho.

 

É muito fácil estimular o estreitamento dos laços familiares, basta querer. Aprendemos que preservar a individualidade traz mais riqueza às relações e permite as muitas combinações de conexão entre um mesmo grupo de pessoas que se amam.

 

Então Sr. Aurélio, se me permite um pequeno ajuste à sua definição de indivíduo, a minha seria simplesmente: “Qualquer ser humano pertencente a um grupo que tem direito a se manter único”.

 

Nathália Alves é publicitária, pesquisadora de mercado há 16 anos, mãe de duas adolescentes e autora do Instagram @repertoriodemae.

 

 

 

 

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