Ansiedade da separação, tá aí um tema que nós Mamães desconhecemos completamente até enfrentá-lo. Cada bebê e criança pode lidar de uma forma com essa fase, mas com a ajuda das meninas do E ai, Psi?, hoje na coluna Papo de Psicóloga esclarecemos de vez todas as dúvidas sobre o assunto!

 

Muitos pais ao chegarem no consultório nos apresentam seu filho com o título de “Grude/chiclete da mamãe ou papai” para nos contar que andam com dificuldade em manter-se longe mesmo por curtos períodos de tempo. Já conversamos sobre a importância dos pais, conseguirem reservar um tempo para aproveitarem como casal e um tempo para a mamãe se ver como mulher, se maquiar, arrumar o cabelo, uma ida ao salão de beleza, academia, shopping com as amigas, e o papai poder ir ao futebol com os amigos, jogar conversa fora no happy hour, barbearia, em fim para ter um tempo para desfrutarem para além do papel de “pais do fulano”.

 

A dificuldade em reservar esses momentos pode aparecer quando a criança não consegue ficar sem suas figuras de segurança, a quem na psicologia chamamos também de figuras de apego (na maioria das vezes os pais, principalmente a mãe). Estes são os responsáveis por transmitir segurança para que a criança possa se descobrir e descobrir o mundo. Quando a criança começa apresentar sintomas de choro excessivo, recusa a ficar sem mãe/pai por perto, podemos estar falando em Ansiedade da separação.

 

A ansiedade da separação é algo esperado durante o desenvolvimento infantil. Essa ansiedade aparece como mecanismo de defesa, uma vez que a criança sinta-se insegura e angustiada nos primeiros ensaios de estar “só” em mundo novo, como na adaptação a escolinha, noites do pijama fora de casa, etc. Tais sintomas tendem a desaparecer progressivamente conforme a criança for crescendo e criando segurança de que seus pais em breve retornarão.

 

Mas qual será o sentido e com que idade isso acontece?

Até os dois anos de idade a criança ainda tem dificuldade em compreender que aquilo que não está em seu campo de visão continua existindo. Um exemplo disso é quando os pequenos ao brincar de esconder cobrem seu rosto e acreditam que não serão encontrados. Quem nunca viu essa cena? Já por volta dos 2anos – 2 anos e meio de idade, a criança passa a ter a capacidade de entender que mesmo não estando ao alcance dos seus olhos, a mãe e/ou pai continuam a existir e logo retornarão, com isso começam a se sentir mais seguros e tranquilos frente a ausência dos pais.

 

Porém, se tais sintomas, mesmo com os manejos adequados tornarem-se persistentes, a ponto de estar prejudicando sua adaptação e trazendo prejuízos em sua socialização e rotinas diárias da família, recomendamos que os pais procurem um psicólogo infantil, pois pode se tratar de Transtorno de Ansiedade de separação. Esse transtorno ocorre quando os sintomas se intensificam de tal forma que a criança passa a apresentar: taquicardia, sudorese intensa, manifestações de dor pelo corpo, medo e preocupação excessiva de que algo de ruim possa acontecer aos pais, relutância em afastar-se dos pais, etc. Tal diagnóstico deve ser feito por um especialista a fim de auxiliar a família frente as dificuldades e elaborar o plano de tratamento mais adequado.

 

Outro questionamento que devemos nos fazer é: Será que eu estou seguro nestes momentos de separação? Será que lhe transmito segurança? Em alguns casos, são os comportamentos dos pais que sinalizam a criança de que algo não está bem ou poderá não ficar bem.

 

E agora? Como auxiliar a criança?

  • Figura de referência: Sempre apresente alguém para quem a criança possa recorrer caso precise enquanto você não estiver. Diga que ela poderá falar para essa pessoa se precisar de alguma coisa, que poderá contar com ela. Transmita segurança de que tudo ficará bem e logo você estará de volta.

 

  • Nada de mais 5 minutinhos: Nessas horas é preciso passar segurança e firmeza, despedidas longas no portão só farão o pequeno imaginar que talvez você desista de deixa-lo se ele tentar mais um pouquinho. Sim, o choro vai aparecer! E tudo bem, ele está demonstrando que sentirá sua falta, mas lembre-se que o adulto na relação é você e está fazendo o melhor para ele. Acredite: você não vai ter nem saído da rua da escola e o choro já terá dado lugar para alguma brincadeira. Confie na sua figura de referência!

 

  • Sem surpresas: Vá preparando a criança sobre os momentos em que você estará longe, o que acontecerá, com que ela irá ficar, o que pode fazer, que horário irá voltar ( nada de números, tente auxiliar a criança a perceber o momento “antes da hora de dormir mamãe voltará“, “quando começar o desenho x papai já estará de volta”) para que a criança possa criar um “cronograma” do que acontecerá, ficando assim menos ansiosa e mais segura.

 

  • Um passo de cada vez: Não podemos esquecer que os comportamentos são aprendidos por repetição e progressivamente, então comece com pequenos períodos de tempo longe da criança. Uma ida a padaria com o tio, uma volta de bicicleta na rua de casa, uma ida ao shopping com os padrinhos, esses pequenos ensaios são o caminho para a criança começar a desenvolver um novo repertório: de ficar bem sem pai/mãe. Assim como na adaptação da escola, vá aumentando o tempo progressivamente conforme a criança for lhe sinalizando de que está se sentindo confiante e tranquila nesses momentos.

 

ALERTA AOS PAIS: os combinados devem ser cumpridos! Quanto mais a criança perceber que o que você falou foi o que aconteceu, mais tranquilo se sentirá nas próximas vezes. Ao retornar, conte a criança o que você fez enquanto estava longe e pergunte a ela como foi para ela? Quais coisas legais ela fez? Com quem brincou? O que comeu? E mostre como você está orgulhoso de que tudo deu certo e já estão juntos novamente como o prometido. Que tal deixar o pequeno escolher o jantar ou a sobremesa? Ou convida-lo a brincar ou assistir um filme que ela goste? Essas pequenas recompensas fazem com que os pequenos se sintam encorajados a tentar novamente em outra ocasião.

 

Gostaram do post? Ainda tem alguma dúvida sobre ansiedade da separação? Deixa aqui o seu comentário e vamos papear sobre o assunto!

 

Paola Richter é Psicóloga, Psicoterapeuta de crianças e adolescentes. Natana Consoli é Psicóloga, Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias e ambas fazem Avaliação psicológica e prestam Assessoria psicológica em Instituições de educação Infantil. Possuem a página E aí Psi? no Facebook e Instagram para compartilhar curiosidades, dicas e problematizar as dúvidas mais frequentes do dia a dia dos pequenos!

 

 

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Flávia
Flávia
5 anos atrás

Muito interessante. Minha filha vai fazer 2 anos em agosto, e não fica 1min longe de mim, tá difícil até pra cuidar da casa pq quer ficar por perto ou encostada em mim.