Crianças pequenas geralmente tem dificuldade em absorver a intangibilidade do tempo, e isso é fato. Cabe a nós Pais e Educadores ajudar os pequenos a entender os conceitos de tempo e de quanto tempo o tempo tem. E é com esse assunto super bacana que inauguramos hoje a coluna Papo de Mãe, que será escrita pela nossa nova colunista Nathália Alves do Instagram @repertoriodemae.

 

O melhor da festa é esperar por ela. Certamente as crianças não concordam em nada com esta frase. Tenho a certeza de que quase toda mãe já trocou com seu filho pequeno um diálogo parecido com o que tive neste dia com Helena, aos 4 anos:

– Mamãe, quando vai ser a festa da Bruna?

– Na semana que vem!

– Ah não! Vai demorar muito…

– Não vai, filha! São apenas 7 dias. É bem rápido.

– A semana que vem NUNCA é rápido.

 

É bem verdade que essa tal de “semana que vem” muitas vezes é um coringa para nós pais e talvez por este motivo seja uma medida de tempo já muito manjada e com pouquíssima credibilidade, mas o fato é que as crianças menores têm efetivamente dificuldade em absorver a intangibilidade do tempo. É algo tão subjetivo para elas que pode até mesmo gerar angústia e inquietude o que, geralmente, sobra pra quem? Bom, basta lembrar que nós adultos frequentemente nos pegamos ansiosos aguardando determinadas datas, isso então para a turminha é algo tão ou mais penoso de administrar. Nossa tentativa imediata – a mais clássica dentre todas – a uma pergunta sobre o tempo é sugerir que a criança faça uma contagem nos dedinhos das mãos. Momentaneamente funciona, mas passado um dia ou até mesmo algumas poucas horas a questão, fatalmente, retorna de forma mais enfática. A explicação se torna ainda menos eficiente se, para piorar, precisar entrar no cálculo também os dedinhos dos pés. Aí, realmente, o evento está longe demais para que o serzinho impaciente seja convencido com essa conversa-pra-boi-dormir.

 

Assim, em vez de apenas oferecer uma caneta, um abstrato calendário impresso e pedir que ele faça “X” em um quadradinho por dia, que tal transformar a dolorosa expectativa numa brincadeira um pouco mais divertida?

 

Compartilho aqui duas ideias lúdicas, bem simples que até mesmo os menorzinhos vão aproveitar e curtir:

 

 

Ideia 1: “O Pote do tesouro” – a mamãe (o papai ou a vovó) vai encher um recipiente com algo que o pequeno adore comer, como por exemplo, uvas. (Okay, todos sabemos que eles preferem chocolates, mas vamos aproveitar a ocasião para estimular também o consumo algo mais nutritivo.) Apresente então o incrível “Pote especial da festa da Bruna”. A cada manhã ou a cada noite até o dia da festa, o pequeno pode comer 1 uva representando 1 dia da espera. Quando não restar mais uvas no potinho, pronto, pode se arrumar, minha querida, pois a festa da Bruna chegou! O que vai dentro do pote, depende da criatividade da mamãe, que também pode deixar livre a escolha sobre o que simbolizará o período. Podem ser frutas variadas ou até mesmo qualquer outro atrativo não comestível: imaginem pacotes de figurinhas de um álbum bacana?

 

 

Ideia 2: “A corrente da felicidade” – a mamãe vai fazer uma corrente de papel, ou seja, vai criar uma argola com uma tira fina de papel, depois entrelaçar outra argola por dentro desta e outra e outra, até que se forme uma corrente com o número equivalente à quantidade de dias a serem esperados. A cada manhã ou noite, a criança deverá cortar – sempre sob a supervisão de um adulto – uma argola da corrente. Para a tão sonhada festa da Bruna pendurei a corrente no puxador do armário da Helena, de modo que ela mesma alcançasse as argolas.

 

Seja corrente ou pote, se houver digamos, alguma “fraude”, ainda surgirá uma ótima oportunidade para um papo sobre paciência e confiança.

 

Nada como poder traduzir o mundo para a linguagem das crianças e nada como poder ver com os próprios olhos quanto tempo o tempo tem.

 

Nathália Alves é publicitária, pesquisadora de mercado há 16 anos, mãe de duas adolescentes e autora do Instagram @repertoriodemae.

 

 

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