Algumas mães, mesmo com a alegria de ver o rostinho saudável do filho e a alegria da sua chegada, vivenciam momentos de tristeza e melancolia. No post de hoje da coluna Papo de Psicóloga vamos falar exatamente sobre isso, o chamado “Baby blues”.

 

Nove meses se passaram, o nome do bebê foi escolhido, o quartinho está pronto com muitas roupas coloridas e bichos de pelúcia, aquele cheirinho de bebê já está na casa, a mala arrumada, os padrinhos estão ansiosos, os avós já não falam de outra coisa, os pais em alerta para o grande dia, e enfim ele chega: o bebê acaba de nascer!

Voltando para casa, você se lembra de todos os comerciais e dos filmes que mostram a linda mamãe sorridente com cabelo escovado, maquiada, o bebê mama tranquilo, dorme por horas seguidas, sem choros e sem cólica. Dá para imaginar um momento mais perfeito do que este tal de pós-parto? Ops, na vida real nem sempre é exatamente assim que as coisas serão.

Ainda não podemos falar sobre a causa exata, porém os hormônios são um dos principais responsáveis por essa mudança. Acredita-se também que esteja relacionado com o turbilhão de sentimentos e ajustes que invadem as mães nos primeiros dias após o nascimento do bebê. A nova rotina que envolverá inúmeras adaptações, a relação mãe e bebê, os distúrbios no sono (acordar inúmeras vezes, além da insegurança que pode impedir um período maior de sono) e as mudanças na família, estão entre os fatores que contribuem para este “estado de espírito”.

Alguns sintomas que podem estar relacionados ao “Baby blues” são: Choro (constante e sem motivos aparentes), aumento ou diminuição do apetite, irritabilidade e impaciência, insônia (mesmo quando o bebê está dormindo ou alguém está cuidando), tristeza excessiva (por motivos vistos como “bobos”) além de uma preocupação excessiva quanto ao seu desempenho como mãe.

É importante estar atendo a diferença entre “Baby blues” e a depressão pós-parto! Enquanto o primeiro é passageiro, causado pelas alterações hormonais e de rotina que a mulher sofre no pós-parto e não necessitar de tratamento, a depressão não é ocasionada apenas pelo nascimento do bebê ou pela gravidez, esta tem antecedentes e precisa e deve ter acompanhamento médico e, muitas vezes, tratamento com terapia e medicamentos específicos.

Lembre-se que este período não deve ser visto como frescura, pois é um comportamento involuntário, e em geral some tão inesperadamente quanto aparece, geralmente cerca de 20 dias. Na pratica além de esperar e ser paciente, mãe e bebê precisam poder contar com uma rede de apoio, ou seja, ter alguém para dividir as tarefas, seja para tomar conta do bebê para que a mãe possa dormir/descansar por um tempo, alguém que dê um colinho para que a mamãe possa tomar um banho descansada ou mesmo se alimentar, ou ainda ter um tempo para se olhar enquanto mulher.

Infelizmente no caso do “Baby blues”, por ocorrer devido aos hormônios e as mudanças deste período, não há como prevenir, assim como no caso da TPM, algumas mulheres terão e outras não. Já no caso da depressão esta deve sim ser acompanhada, se a mulher já possuir um histórico ou passar por alguma situação estressante durante a gestação que possa desencadear o problema é necessário que o médico obstetra esteja ciente para que possa avaliar e encaminhar o tratamento caso necessário.

Agora um sussurro no ouvido dos papais/companheiros:

Sabemos que nesse momento, a maioria dos olhares irão se voltar ao bebê, mas é importante que vocês possam dedicar um tempo para, definitivamente, cuidar da mamãe! Essa é a melhor maneira de diminuir os sintomas do “baby blues“. Observe a quantidade de novos desafios e adaptações que ela está a viver para cuidar do pequeno bebê que ainda necessita de todos os cuidados para crescer forte e saudável, além disso o corpo dela ainda está se recompondo do parto. Por isso, demonstre seu apoio e aproveitem juntos todas as inúmeras descobertas que ainda estão por vir!

 

 

psicologasPaola Richter é Psicóloga, Psicoterapeuta de crianças e adolescentes. Natana Consoli é Psicóloga, Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias e ambas fazem Avaliação psicológica e prestam Assessoria psicológica em Instituições de educação Infantil. Possuem a página E aí Psi? no Facebook e Instagram para compartilhar curiosidades, dicas e problematizar as dúvidas mais frequentes do dia a dia dos pequenos!

 

 

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[…] Porém, entre 10% e 15% das mulheres, estes sintomas não desaparecem com o passar dos dias, pelo contrário, passam a se intensificar e junto com eles surgem ainda apatia, dificuldade em sentir-se bem, exaustão, sensação de que “nada de bom está por vir”, pensamentos negativos em relação a si e ao bebê, desinteresse pelas atividades e pessoas do dia-a-dia. Essas mulheres relam sentirem-se incapazes de realizar suas tarefas além de choro diário e frequente. Nesses casos, precisamos estar atentos, pois estamos falando da depressão pós-parto! Já falamos sobre baby blues aqui na coluna, para ler basta acessar AQUI. […]